quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Reforma ou Halloween?

   Hoje se comemora, principalmente nos Estados Unidos, o Halloween, a famosa festa das bruxas. Esta data surgiu como uma forma dos camponeses celtas (antigo povo que habitava as Ilhas Britânicas) afastarem os maus espíritos de suas plantações e se vestiam como demônios ou mortos para chegar a este fim, para que no dia 1º de novembro (dia sagrado) fosse livre de espíritos. Na época da invasão do Império Romano nas ilhas, as culturas se misturaram, sendo o hábito de espantar os espíritos levado para o continente. Outra lenda diz que esta festa remonta à mudança da data do Dia de Todos os Santos ou Dia dos Mártires para de maio para o dia 1º de novembro pelo papa Gregório III, que era o dia da dedicação da capela de Todos os Santos na Basílica de São Pedro, em Roma. Na véspera da comemoração havia a preparação para a festa, que se chamava All Hallow's Eve (Vigília de Todos os Santos) e mais tarde passou a ser chamada de Halloween.

   Mas em 1517, um homem, indignado pela forma como a igreja Católica vinha sendo conduzida e pela forma como a salvação era vendida para os fiéis, pregou na porta da igreja que dirigia na Alemanha 95 teses, baseadas na Bíblia e que desmontava a cultura eclesiástica vigente até então. Este homem era Martin Lutero. Depois disso muita coisa aconteceu. Excomunhão, perseguições, lutas, guerras, mortes, acusações mas também aconteceram muitas libertações, comunhões, aproximações, curas, busca do Espírito, revelações e principalmente: salvação.

   Hoje é comemorado o Halloween, mas também é comemorado novos rumos do mundo. Mesmo que você não seja protestante, católico, evangélico, anglicano, etc. é necessário admitir que a Reforma Protestante mudou o mundo.

   Desde esta época podemos ter a liberdade de estudar a Bíblia, receber revelações diretamente do Espírito e liberdade argumentativa. Mesmo que estejamos errados podemos ler a Bíblia e chegar a conclusões e buscar em Deus a verdade (coisa que não era permitido antes). Precisamos comemorar esta data porque ela nos trouxe a liberdade de afastar a maldição do Halloween.

   Hoje podemos dizer que esta festa comemorada também aqui  no Brasil é uma armadilha de satanás para nos trazer catividade. Podemos negar que os espíritos imundos entrem em nossa vida. Isso por quê? Porque homens como Martin Lutero, João Calvino, Ulrico Zuínglio, John Fox, Jonathan Edwards, J. C. Ryle, Madame Guyon, Andrew Murray, Watchaman Nee, mais recentemente Dr. Lloyd-Jones, e tantos outros homens e mulheres nos ajudam no caminho de crescimento espiritual e de santidade.

   Então, não comemore o Halloween, comemore o dia da Reforma Protestante, não só para evitar que sua vida seja contaminada pelo inimigo, mas para que você conheça esses nomes aí em cima e passe a receber maná de Deus através da vida deles.

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Ser cristão é dureza!

   Ser cristão é dureza. Na verdade, sempre foi. É difícil ter essa visão nos dias de hoje porque é moda ser crente. Todo mundo vira crente, agora. Os políticos, para ganhar votos. Os cantores, para vender CD. E alguns malandros, para tentar arrancar dinheiro dos outros. Ser crente hoje é uma questão de status, e parece que está se agravando.
   Durante séculos ser cristão era uma questão de sobrevivência. Se você não fosse cristão, frequentasse a missa e se confessasse pelo menos uma vez por mês, seria acusado de heresia e talvez parasse numa fogueira ou numa sala de tortura.
   Também houve uma época que ser cristão era ser atrasado (em alguns lugares ainda é assim, por exemplo, na Europa, em países como Alemanha). A religião vigente era a Razão. Se você acreditasse em qualquer coisa então era taxado de retrógrado e de mente pequena.
   Hoje em dia, ser cristão é difícil pelo simples fato de não haver mais integridade. A ditadura de certos comportamentos está nos obrigando a silenciar. Até o papa diz que certos pecados não tem problema, porque ele não julga ninguém.
   Ser cristão é dureza!
   É duro porque precisamos viver contra a maré. Somos os esquisitos, os diferentes que precisam ser os politicamente incorretos. Precisamos chamar pecado de pecado. Não sou eu quem decido o que é pecado, mas é Deus. Não sou eu quem decido que não posso aceitar certas coisas, é Deus. Então, por que me acusam tanto?
   Me acusam justamente porque preciso fazer a diferença. Ser diferente é complicado. Lutar pela família não dá ibope,e portanto é esquecido. Lutar por princípios está fora de moda, e por isso sou acusado de ser retrógrado. Dizer não ao prazer porque quero me preservar é ser burro. Controlar meus impulsos, quer dizer que não sou livre.
   Quando vejo pessoas atacando cristãos porque são cristãos (sejam evangélicos, católicos, anglicanos ou ortodoxos) percebo que essas pessoas vão contra o que eles mesmos estão defendendo: a liberdade de escolha. Também me lembro de Jesus. Lembro que Ele ensinou o caminho para a salvação, mas nunca obrigou ninguém a segui-lo. Lembro que Ele deu opções de comportamento, mas  nunca foi excludente em quem decidia segui-lo. Lembro que quando alguém se jogava aos seus pés (porque era pecador, porque não aguentava mais a dor da vida, porque não suportava mais a doença) Jesus nunca fez uma sabatina sobre seu comportamento anterior.
   Ele só aceitava.
   Nos acusam e nos perseguem por muitos motivos. Talvez alguns dos motivos sejam realmente culpa nossa. Mas se vivermos dentro do que Cristo ensinou, talvez continuem nos perseguindo, mas agora por outras razões.
   Precisam nos perseguir porque amamos. Precisam nos perseguir porque temos a integridade na flor da pele. Precisam nos perseguir porque vivemos uma vida santa, e não aguentam conviver olhando o que é santo e o que lembra a eles dos seus pecados. Precisam nos perseguir porque somos a imagem e semelhança de Deus na terra.
   Precisamos ser sal e luz deste mundo. Devemos ser diferentes não porque não somos honestos e não pagamos as contas, mas porque devolvemos até 1 centavo que não nos pertença; e porque pagamos nossas contas em dia. Cartão de crédito não se paga com oração, mas apertando o cinto e cortando gastos.
   Onde está nossa santidade? Onde está a fama de honestidade que já tivemos? Onde está a luz que conduz o munda à salvação? Onde está os servos de Deus? Onde está o temor ao Senhor terrível e temível?
   Não se engane, todas as coisas estarão descobertas no dia do juízo e prestaremos contas de cada ato, de cada palavra, de cada gesto. Precisamos obedecer, buscar a santidade, amar e esperar a perseguição (pelos motivos certos). Por isso ser cristão (de verdade!) é dureza. Porque não queremos conviver mais com o pecado, com a miséria da separação da presença de Deus em nossa vida. Ser cristão é ser a igual a Cristo. Então comece agora a ser. Viva de acordo, entregue tudo nas mãos dEle, aceite a vergonha da cruz, entenda o amor e a justiça de Deus sobre a cruz de Cristo.
   Quando você começar a viver assim, então agradecerá a Deus pela perseguição, porque isso quer dizer que você não se molda mais por esse mundo, que faz a diferença e que está incomodando muito.
   Busque, e tema.

sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Os sonhos de Deus jamais vão morrer!

   Todo ser humano sonha. Não estou falando dos sonhos durante o sono, e que muitas vezes são confusos. Estou falando de sonhos pensados enquanto estamos acordados. Esta é uma característica do ser humano. Nenhum outro animal tem a capacidade de sonhar e planejar seu futuro. Ou você já viu uma hiena fazendo a agenda do ano seguinte?
   O ser humano é privilegiado sobre outros seres viventes. Isso só pelo fato de podermos ter um relacionamento com Deus, ou com outras pessoas. Podemos chorar, sorrir, pensar e sonhar.
   Mas infelizmente ignoramos essa bênção, ou esquecemos que ela está lá e só sobrevivemos à vida. Passamos de problema em problema sem, de fato, sonhar com uma vida melhor e plena. A realização faz parte de ser humano. Precisamos nos sentir parte de algo, ou com um propósito para que nos sintamos humanos e vivos.
   Somente passar pela vida não é viver. É algo muito pior, e nos acomodamos muito prontamente a essa forma de passar os dias. As coisas vão acontecendo, os problemas vão surgindo, as contas vão chegando e esquecemos de sonhar. Esquecemos de pensar no que amamos, em nosso propósito na vida e para quê estamos aqui.
   Uma pessoa que poderia ter se acomodado mas decidiu não viver assim foi José. Ele sonhou quando ainda era adolescente. Ele teve uma visão de Deus que não entendeu muito bem, mas sobre a visão de Deus José sonhou. Ele sabia que algo muito maior o aguardava, e que ele tinha um propósito na vida a ser cumprido. Seus sonhos eram maiores do que ele mesmo e do que sua realidade.
   Mas a vida o levou para o buraco, literalmente. Depois de crescer sendo o filhinho do papai, José acabou escravo e depois preso. O primeiro foi por inveja, o segundo por convicção. José se tornou escravo pela inveja de pessoas que, diferente dele, não sonhavam e não gostavam que ele sonhasse (e claro que ele fosse protegido pelo papai). E se tornou um presidiário porque não queria afogar sua vida em mediocridade. Ele simplesmente não queria ser qualquer um, ele não queria afogar seus sonhos. José lutou com todas as forças para não perder o foco.
   Facilmente ele poderia ter se deixado levar pela vida. José poderia ter aceitado que os problemas e a complicação da vida o fizessem ser só mais um. Se José tivesse se deixado seduzir pela mulher do patrão, ele teria sido só um filho perdido de Jacó, e não o príncipe do Egito. Ele jamais teria se tornado a referência que se tornou.
   Aposto que não foi fácil. Com certeza os anos de escravidão e depois os de prisão, com certeza, foram um tormento para ele. Provavelmente ele questionou Deus sobre os sonhos que o Senhor tinha colocado sem seu coração e que não se realizavam. Ele estava parado patinando no mesmo lugar, esquecido numa prisão suja.
   Mas José lutou. Apesar das suas perspectivas ele continuou fazendo seu melhor. Ele se destacou na sua competencia, mesmo que isso significasse que ele continuaria a ser um preso. Mas agora é o chefe dos presos. O ministério que Deus deu para José continuou a ser exercido.
   Agora imagine comigo, e se José tivesse se recusado a interpretar os sonhos do copeiro e do padeiro do rei, o que teria acontecido? Nada. Ele teria continuado a ser um excelente administrador da prisão. Nada mais do que um preso. Ele precisou continuar a sonhar para que as coisas acontecessem. Quando José interpretou o sonho do padeiro e que seria recolocado em sua função, ele não pensou duas vezes e fez o pedido: "Quando estiver lá, lembre-se de mim". Mesmo depois de dois anos, o padeiro lembrou dele.
   Deus colocou sonhos no seu coração? Então continue sonhando, sem medo. Continue a acreditar no que Deus quer para a sua vida, independente das circunstâncias. Os caminhos que você vai percorrer, ou já está percorrendo, podem ser estranhos e parecem te conduzir para o pior, mas são os caminhos que o Senhor escolher para você ser treinado para a grandiosidade do projeto para a sua vida.
   Não desista, continue a acreditar. E principalmente, continue a amar.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Viver de AMOR

   "
Amarás, pois, ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de todas as tuas forças." Marcos 12.30

   Toda a Bíblia está permeada de amor. Podemos ver isso desde o começo dos tempos. Mesmo quando Adão se rebelou contra Deus e pecou, o Senhor continuou amando-o. Numa leitura rápida e sem muita atenção você não conseguirá perceber esse amor. Mas quando entendemos a gravidade do pecado e a reação de Deus, percebemos como Ele nos ama.
   Adão merecia morrer ali mesmo e ir para o inferno (assim como todos nós!). De fato, ele sentiu uma morte imediata. Grande parte do seu intelecto morreu (hoje só usamos 10% da nossa capacidade, no máximo, enquanto Adão podia usar 100%, antes do pecado), e, o pior, foi a morte espiritual. Ali Adão sentiu a separação permanente de Deus e caiu em desgraça. Mas podemos ver o amor de Deus quando Ele decide não exterminar o pecado imediatamente. O Senhor decidiu nos amar, e nos dar outra chance. Podemos escapar desta vida desgraçada através do sangue de Jesus derramado na cruz, em nosso lugar.
   Se há alguma dúvida do amor do Pai por nós, ela se desfaz quando olhamos para a cruz. Muitos têm encarado a cruz e fingido que não aconteceu, que foi invenção de um grupo lunático, e que outros mais lunáticos ainda acreditaram. Sim, você pode viver ignorando a cruz. Mas jamais poderá ignorar o amor derramado nela.
   O amor de Jesus naquela cruz é inconfundível. Podemos confundir o que é o amor e como nos relacionamos com ele, mas não podemos negar um amor incondicional, sem limites e precedentes. Há muito mais neste ato do que podemos supor inicialmente. Nossa mente limitada e pecadora não consegue compreender tudo pelo que Jesus passou em nosso lugar e todo o sacrifício que fez por nós. 
   Imagine que você ama profundamente as lesmas. Não ria, só imagine. Você deixaria toda a sua capacidade intelectual, conhecimento do mundo, mobilidade e força física para se transformar em uma lesma e entregar sua vida para que as lesminhas não morram? Você consegue imaginar isso? Deixar tudo o que você é, abrir mão de tudo o que você tem por algo tão pequeno? Provavelmente, sem muita importância?
   Foi exatamente esse sacrifício que Cristo fez. Ele se esvaziou de toda a sua glória e conhecimento, comunhão perfeita com o Pai, onisciência, onipotência e onipresença por amor. Veio à Terra, se fez carne, limitou-se ao corpo, reduziu seu conhecimento ao mínimo, passou por vergonha, foi rejeitado e humilhado; até que entregou sua vida, e morreu (sem esquecer que também ressuscitou ao terceiro dia, e VIVE!).
   Esse amor não é incrível?! Fico sem palavras só de pensar nisso.
   Como pode alguém desprezar esse amor? Como pode alguém ignorá-lo? Como é possível que haja pessoas neste planeta que não viram, ouviram e sentiram esse amor? É possível alguém ficar indiferente a Ele e permanecer na escuridão da vida?
   Quando encontro pessoas apaixonadas por Cristo, e que fariam qualquer coisa por Ele, eu consigo compreender perfeitamente. Há gente que não consegue falar uma frase inteira sem falar deste amor. E acho que é isso que Jesus queria dizer quando falou as palavras do versículo no começo deste texto. Amar a Deus de todo o coração, alma e entendimento é viver intensamente no amor de Jesus. É não se amar mais do que se ama a Deus. É entregar TODA a vida para que Ele cuide. É não ter cuidado de si mesmo, não se importar com suas necessidades, é não querer mais nada a não ser Deus.
   Se eu pudesse usar as figurinhas da minha infância diria: AMAR É... SER IGUAL A JESUS!!!!

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

A história de Zaqueu

Lucas 19:1-10
            Todos nós conhecemos a história de Zaqueu, e como entrou a salvação na sua casa. Mas poucos de nós pensamos em como Zaqueu se sentiu quando Jesus quis entrar em sua casa. Vamos juntos pensar em Zaqueu.
            Zaqueu era um homem desprezado na sociedade em que vivia. Provavelmente quando nasceu foi desprezado pela família. Nas sociedades antigas pessoas com deficiência eram tratadas como incapacitadas. Zaqueu provavelmente era anão, e isso por si só já era o suficiente para se tornar um mendigo.
            Porque digo isso? Porque ninguém que tinha uma deficiência poderia trabalhar. Observe os evangelhos. Quantos cegos e paralíticos pedindo esmola Jesus curou. Eram pessoas que apesar de ter capacidade intelectual eram impedidas de serem produtivas. Ora, todos sabemos que com algumas adaptações a maioria dessas pessoas pode trabalhar tranquilamente. Hoje todos nos acostumamos a ver cegos, cadeirantes, surdos e anões trabalhando; vivendo sua vida sem problemas (ou tentando contornar a maioria deles).
            Mas na antiguidade qualquer um que tivesse uma deficiência, fosse de qualquer tipo, era automaticamente lançado à margem da sociedade. Zaqueu não tinha uma deficiência. Podia andar, pensar, ouvir e ver. Mas era pequeno! Muitos estudiosos afirmam que Zaqueu era anão. Pode ser que fosse, ou posso dizer que provavelmente fosse. E por causa disso era desprezado e negligenciado.
Pense como era isso nas sociedades de antigamente. Não conseguir estudar com decência por causa do seu tamanho (quem ensinava eram os sacerdotes, e portanto só aprendia alguma coisa quem eles queriam que apreendesse), não poder trabalhar na terra como agricultor porque seus braços são curtos demais, não poder ser comerciante, porque nenhum cliente vai te enxergar no mercado, não poder trabalhar como marceneiro ou pescador. A rejeição estava presente de forma gritante na vida de Zaqueu. Todos o rejeitavam. E seu coração começou a ficar duro.
Um belo dia surgiu uma oportunidade de trabalho, e ninguém que oferecia essa oportunidade se importava muito com a altura de Zaqueu. Ele se tornou um publicano. O que era isso?  Mais ou menos um século antes do nascimento de Jesus, um novo império estava crescendo e engolindo tudo o que via pela frente. Em pouco tempo o Império Romano engoliu e anexou a pequena faixa de terra que era Israel. Era uma localização estratégica por ser uma passagem importante entre o Egito e a Mesopotâmia. Era um ponto de encontro entre comerciantes. E você sabe que quando se controla o comércio, se controla a vida das pessoas. O Império Romano se apossou de Israel sem grandes dificuldades, e logo em seguida passou a cobrar impostos. Para uma melhor organização foram contratadas pessoas do próprio povo (que se conheciam muito bem, e portanto não haveria sonegação por não se saber quem deveria pagar) e assim receberam o nome de publicanos.
Agora pense um pouco. Um outro povo vem, domina o seu país, impõe uma cultura que não é a sua e cobra por isso. É revoltante. E o publicano passou a ser o símbolo dessa opressão, não só por cobrar o imposto como por ser um traidor. Na cabeça do judeu ele estava traindo a nação, os amigo e pior: estava traindo Deus. Então não só não eram bem quistos pela cobrança, como também pela traição.
E Zaqueu aceita este trabalho. Para quem não era bem visto pelos seus problemas físicos, agora passou a ser odiado.
Então analise a situação comigo: um homem que não era aceito como sendo produtivo, e que passou a vida tentando ser aceito, começa em um trabalho odiado e pior de tudo, fica rico! Isso já era demais. Só um homem que não era temente a Deus e um pecador de primeira que poderia ficar rico dessa forma. E ainda por cima ele se tornou o chefe dos publicanos.
Fico pensando no coração de Zaqueu como era lidar com tudo isso. A rejeição era profunda e dolorosa. O anseio do seu coração era que Deus o aceitasse, mas como se ele era conhecido como PECADOR. Provavelmente não poderia entrar na sinagoga para adorar ao Senhor, e tão pouco estudar as escrituras para buscar e saciar o anseio que havia em seu íntimo.
E foi vivendo assim durante muitos anos.
Até que um dia chegou a notícia que havia um homem diferente andando sobre a terra. Todos diziam que era o Filho de Deus, e que realizada muitos milagres e ensinava com sabedoria. O coração de Zaqueu dispara só de pensar em encontrar Deus em pessoa.
Imagine numa época que em nenhuma única civilização deus algum se dava ao trabalho de olhar para um ser humano. Em todas as nações haviam deuses, e que muitos brincavam com a vida das pessoas, por mais que estas se esforçassem para agradar (hoje sabemos que eram demônios destruindo as vidas que Deus tanto ama).
Em Israel a visão de Deus era bem diferente da que temos hoje. Ninguém tinha acesso ao Senhor, a não ser o sumo sacerdote que uma vez por ano entrava no Santo dos Santos para pedir perdão ao Senhor pelos pecados do povo. Se o sumo sacerdote não tivesse se purificado como deveria em todas as instâncias (desde a purificação física do corpo com água, até a purificação do espírito com sacrifícios de carne, como descrevia a lei) o sumo sacerdote era fulminado pela presença santa de Deus. Nenhum pecado sobrevive quando a pessoa entra na santidade do Senhor sem pedir perdão antes. Por isso o sumo sacerdote entrava com uma corda amarrada no corpo e com sininhos costurados na roupa. Se os sininhos parassem de tocar, é porque ele havia morrido, e como ninguém poderia entrar no Santos dos Santos (a não ser o sumo sacerdote) sem ser morto os outros o puxavam pela corda para fora.
Esse era o relacionamento mais íntimo que a maioria das pessoas comuns tinham com o Senhor. Era Ele lá e eu aqui. Não havia intimidade, cuidado pessoal. Nem tão pouco esse aconchego que sentimos quando a presença do Espírito Santo fala aos nossos corações. O relacionamento era de temor e tremor. Quando Deus falava era através de um profeta ou dos sacerdotes (o que era bem mais raro, o comum era através dos profetas).
Muitos rumores corriam pela terra naquela época. Depois de quatrocentos anos em silêncio Deus envia um profeta que foi morto a pedido de uma prostituta romana. E agora a notícia que o filho de Deus estaria entre eles causou alvoroço.
Essa era a única oportunidade de poder ver Deus e escutar seus ensinamentos. Era através do Seu Filho! Que oportunidade maravilhosa.
Mas como sair no meio do trabalho e deixar tudo por conta dos funcionários? Não era possível. Mas o anseio no coração de Zaqueu crescia dia a dia. Ele não queria muito, só olhar aquele homem já seria o suficiente. Não precisaria falar com ele, afinal de contas ele era um pecador e não merecia receber qualquer atenção do Filho de Deus. Zaqueu havia se acostumado a ser rejeitado. Até ele mesmo se rejeitava. Mas o anseio mais profundo do coração era ter um encontro com Deus.
Um dia chega rumores de que esse Filho de Deus passaria por Jericó. O coração de Zaqueu dispara só de pensar que Jesus estaria em sua cidade e que ele conseguiria pelo menos ver Jesus passar. Que alegria! Ver o Filho de Deus pessoalmente. Sem saber Zaqueu buscava ao Senhor de todo o seu coração.
Zaqueu acorda cedo um dia, toma seu café da manhã e sai prá trabalhar. Não dá dois passos prá fora de casa quando de repente ouve dois homens conversando: “É ele mesmo, ele está vindo a Jericó, e chega ainda hoje”, o outro responde: “Mas você tem certeza de que é Jesus?”. “É claro que eu tenho, o Jeremias que trabalha lá no campo do José conhece ele de Jerusalém, quando foi lá no ano passado. Ele viu Jesus andar em direção a cidade e falando pros homens que andam com ele que viria prá cá hoje. Daí o Jeremias veio correndo avisar. É ele mesmo!”.
Pronto! Zaqueu paralisa, seu coração dispara, suas pernas ficam moles e um buraco bem no meio do estomago surge misteriosamente. Ele tem que pensar rápido. Jesus está vindo! Precisa vê-lo de alguma forma! Mas por onde ele vai entrar na cidade? Zaqueu passa a andar pelas ruas tentando ouvir o que as pessoas diziam e tentando descobrir por onde Jesus vai andar. Afinal de contas Zaqueu precisava pelo menos olhar para o mestre. Sabia que não poderia jamais ter sua atenção, mas só de olhar seu coração se acalmaria.
Ouviu dizer que Jesus passaria pela rua dos pães. Correu prá lá, mas tinha muita gente. Como era anão não conseguia enxergar. Tentou empurrar, mas não teve jeito contra pessoas de estatura mediana. Ele ouviu que o mestre passaria pela rua do marceneiro Simeão e correu prá lá antes que enchesse demais. Não deu sorte. Já estava lotado. Então olhou prá arvore que estava próxima e teve uma idéia! Sua posição social não condizia com o que estava prestes a fazer, mas não se importava. Ver o Filho de Deus pessoalmente era muito mais importante. Não poderia fazer nada com as gozações que viriam a seguir. O mais importante para sua vida inteira seria ver Jesus e depois arcaria com as conseqüências.
Com dificuldade conseguiu subir na figueira brava e foi até o ponto mais alto que pode. De repente ouviu uma gritaria, e viu um homem dobrando a esquina. A multidão chamava, tentava tocá-lo. Por um momento o tempo parou! Zaqueu não ouviu mais nada. O Filho de Deus estava andando na rua da sua cidade. O seu rosto não era bonito, mas transmitia uma paz que ele jamais havia sentido em toda a sua vida. Valeu a pena todo o esforço prá ver Jesus. E nesta fração de tempo sentiu a maior alegria de toda a sua vida. Não queria mais nada, não precisava de mais nada.
Mas sem que Zaqueu tivesse percebido. Algo aconteceu. Jesus parou bem embaixo da árvore que ele estava. Será que o mestre parou prá falar com o sacerdote da sinagoga, afinal ele estava bem perto da árvore. A multidão parou de gritar. Jesus falou: “Zaqueu desce depressa, porque hoje vou ficar na sua casa”. Zaqueu quase despenca da árvore. O mestre sabe seu nome, e ainda quer ficar na sua casa!
Todos ficam indignados. Como Jesus vai ficar na casa do maior pecador da cidade? Jesus não sabe que ele é o chefe dos publicanos?
Zaqueu não se importa com todos os comentários. Leva Jesus a sua casa, o hospeda com alegria. Não podia ser! O Filho de Deus está na sua casa!
Pense comigo: sabendo da vida e da dor de Zaqueu como acha que ele se sentia vendo Jesus dentro da sua casa? O anseio do seu coração era maior do que todas as riquezas que possuía. Nada podia ser melhor. Foi nesse momento que Zaqueu compreende que não vale a pena ganhar o mundo e perder a alma. Decidiu entregar boa parte da sua fortuna para os outros.
Ele foi altruísta? Queria mostrar prá Jesus que ele poderia ser bom e ficar com pouco? Não mesmo!
O que Zaqueu queira era entregar tudo o que tinha e tudo o que era. Não se importava se ficasse com pouco, que tivesse que baixar seu nível de vida. Tudo o que Zaqueu queria era se entregar de corpo, alma e conta bancária prá Deus. Depois de anos de busca, rejeição e dor, finalmente Zaqueu encontra o que procurava. Era a pérola encontrada no campo. Zaqueu decidiu vender tudo o que tinha prá comprar o campo e ficar com a pérola. E ficou.
Quando Zaqueu disse que entregaria tudo, Jesus não disse: “ muito bem, agora, você tem que estudar bastante a Bíblia, fazer a classe de batismo, se batizar, ficar no banco uns anos e depois veremos se você de fato aceitou a salvação”. NÃO! Jesus foi bem claro: “Hoje, veio a salvação entrou nesta casa, pois também és filho de Abraão”
Zaqueu havia esquecido quem era. Ele era filho de Abraão. Estava apto a buscar e encontrar ao Senhor, e Zaqueu buscava de todo o seu coração. Ele esqueceu que fazia parte do povo da promessa. Ele esqueceu porque era desprezado na comunidade em que vivia, era rejeitado e impedido de cumprir com suas obrigações de judeu. Provavelmente se sentia mais romano do que judeu, por ter sido mais “aceito”. Não que ele tivesse sido aceito, mas era necessário para o bom funcionamento do governo invasor naquelas terras.
Jesus lembrou a Zaqueu quem ele era e quem vinha buscando a Deus de todo o coração, e vendo que estava disposto a abrir mão de tudo para ter este encontro com o Senhor a salvação entra na sua casa, e com alegria Zaqueu recebe.
Não importa que tipo de vida tem levado. Não importa se os outros olham prá você e só vêem que a sua vida não é condizente com a sociedade que vive. Ou se você vive de acordo com as regras, mas na intimidade faz coisas que não deveria. Não importa o tipo de vida que leva. O que importa é a busca de todo o coração. Zaqueu se desesperou quando percebeu que não conseguiria ver a Jesus e fez tudo o que pode e o que não pode para ter o encontro com Deus.
Você sente que alguma coisa está errada? Você não sabe exatamente o que é, mas sabe que está errada. Algo está faltando. E posso dizer prá você que o que você está sentindo é a falta de Deus. Ele tem falado ao seu coração. O Senhor tem te buscado, e colocado uma sede em você de alguma coisa e essa coisa é Jesus. Só ele pode preencher o vazio, a falta e a saudade que corrói o seu coração.
Perder essa batalha é a melhor coisa que uma pessoa pode fazer. Porque quando você perde a sua vida prá Jesus ele te dá muito mais. É melhor dar do que receber, é melhor se entregar do que sacrificar.

Perca a batalha, é incomparavelmente melhor!

(Muitas partes foram inventadas, não leve este texto ao pé da letra. O texto original está na Bíblia, em Lucas 19. Que Deus te abençoe)

sexta-feira, 31 de maio de 2013

A mulher adultera

A vida não anda fácil. As coisas dentro de casa estão complicadas. Tenho um marido que não me ama e não se importa muito comigo. Ao menos penso eu. Em algum momento do passado ele me amou. Sei que me amou. Sentia seus sentimentos por mim fortes, mas com o passar dos anos as coisas mudaram paulatinamente.
As atenções acabaram, os carinhos não ocorrem mais. Somente quando ele quer se saciar ocorre contato físico e mesmo assim sem se preocupar comigo. Não há violência, não falta comida na mesa e as crianças têm roupas e estudam num bom colégio. Quem olha de fora pensa que somos felizes e que nos amamos e conversamos sobre tudo. Mas durante o dia, enquanto passam as semanas sinto que tudo pesa, tudo é difícil e está chegando ao ponto em que não quero mais viver.
Um dia quando comprava carne para o jantar, conheci um homem. Ele me tratou muito bem. Nos encontramos, e sem querer, várias vezes nos reencontramos. Suas atenções comigo me comoveram. Com o passar dos dias os sentimentos mudaram e eu passei a amá-lo, ao menos era o que eu pensava. Dos elogios passamos a pequenos toques. Em algumas semanas a coisa toda se consumou.
Só eu sei o desespero que eu sentia. A solidão era avassaladora. A minha vida me oprimia. Nos breves momentos em que eu estava com o homem que eu pensava que amava me parecia que eu ficava bem, mas logo depois o desespero voltava. Eu pensava que era porque eu me afastava dele. Mas lá no fundo eu sabia. Eu sabia que era porque me faltava algo. Seria meu marido? Falta de carinho? Falta de atenção? Ou talvez a mesmice de todo dia? Eu não sabia, mas buscava.
Num dia particularmente desesperador, fiz de tudo para encontrar aquele homem, meu amante. Quando o vi meu desespero diminuiu mas não sumiu e não sabia porque, mas joguei esse pensamento pro canto da minha mente e disse prá mim mesma que só precisava do seu toque. Eu não sabia mas alguns homens me observavam. Algumas pessoas perceberam que algo estava acontecendo, antes mesmo de eu saber.
Nos tocamos, a coisa toda foi evoluindo e quando estava distraída a porta se escancara. Por uma fração de segundo pensei que meu marido nos tinha pego.
Mas não. Eram vários homens gritando e muito. Não entendia o que estava acontecendo. Fui arrastada prá fora, jogada no chão. Me colocaram minhas roupas de qualquer jeito. Fui chutada, guspida, xingada. Jamais tinha me sentido tão humilhada. Quando consegui olhar para cima pude ver muitos rostos. Mas vi primeiro o chefe da sinagoga. Ele estava com uma cara muito satisfeita, ele realmente estava feliz. Nunca gostei muito dele, mas o respeitava porque sabia que era a voz de Deus no nosso meio. O segundo rosto que vi foi o homem que tanto amava. Ele estava em pé, todo vestido com um sorriso nos lábios. Reconheci vários outros rostos, todos muito felizes e não entendi imediatamente porque todos estavam tão alegres.
Se algum dia eu tinha sentido sofrimento, nada se comparou a esse momento. Eu sabia o que estava por vir: apedrejamento. Pensei se doeria muito, mas disso eu tinha certeza. Mas a dor maior foi pensar nos meus filhos. Não poderia vê-los crescer. Não poderia ver minha filha se casar, seu vestido de noiva. Não poderia ver meu filho chegando em casa muito feliz porque conseguiu o primeiro emprego, ou porque tinha lido a Torá pela primeira vez na sinagoga.
Que dor senti! De repente percebi que tinha caído numa armadilha. O homem que amava se aproximou de mim para me conquistar, para me levar para aquele quarto e adulterar com ele. Pensei no meu marido e o quanto ele poderia ser amoroso comigo e como ele se transformou. Toda a nossa vida passou diante dos meus olhos em um segundo. Percebi que ele havia mudado porque estava preocupado em sustentar a casa. Que a falta de comunicação e de carinhos eram somente parte da rotina e da personalidade dele. Ele sempre foi um homem quieto. Lembrei das nossas noites de intimidade e percebi que não era brutalidade, mas somente eu não dizer o que queria e como queria. Meu desespero foi só aumentando.
Mas porque essa armadilha? Não tenho nenhuma influência política ou econômica prá ser pega assim. Não há nada em mim que faça com que esses homens fiquem felizes por me desgraçar assim com tanta satisfação.
Então um deles grita que devem me levar para o tal de Jesus que tanto ouço falar. Já tinha ficado curiosa para encontrá-lo, mas nunca me preocupei em sair de casa e ver onde estava. Ouvi dizer que ensinava com muita autoridade e que tinha o amor e a justiça nos olhos. Muitos diziam que era profeta. E quando lembrei disso, entrei em pânico. Me lembrava bem o que os profetas poderiam fazer com um pecador. A Bíblia dizia o que aconteceria comigo agora.
Vou morrer e ser condenada pela multidão e pelo profeta. Não há saída, não tenho a quem recorrer. As testemunhas são muitas e sei que falariam que eu adulterava. Já não vejo mais o homem a quem tanto amei e entreguei, ele sumiu. Estou só. Mais do que jamais estive em toda a minha vida.
Sou levada aos tropeços. Não me deixam ficar em pé. Sou arrastada, chutada. Só peço a Deus que meus filhos não vejam, sei que contarão uma história horrível prá eles e que sentirão vergonha de mim por toda a vida. Finalmente chegamos a uma multidão de pessoas. Há um homem no centro do círculo. Chego a conclusão que é o famoso profeta. Não tenho coragem de levantar os olhos. A vergonha é demais.
Os homens da sinagoga falam com ele. Dizem que fui pega em adultério e que devo ser condenada. E para minha total surpresa perguntam a ele o que ele acha. E nesse exato momento percebo tudo! Eu fui uma isca para condenassem o homem a minha frente. O chefe da sinagoga afirmava que ele era um herege e que merecia morrer, mas que não conseguiam pegá-lo na palavra. Sempre simpatizei com o que falavam dele, e me parecia ser de fato um profeta anunciando a Palavra de Deus.
Mas agora meu desespero foi multiplicado por dois. Não só por mim, porque morreria de qualquer forma, mas por aquele homem. Não podia ver seus olhos e portanto não poderia dizer em que ele estava pensando. Ele escrevia algo no chão, não poderia ver, estava com lágrimas nos olhos.
Para minha total surpresa, se eu ainda poderia ter alguma, ele faz uma afirmação como forma de convocação: Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra! E volta a escrever. Um silêncio mortal paira sobre todos. Fico de cabeça baixa, sem coragem de ver o que estava acontecendo. Não queria saber de onde viria a primeira.
Quando nada vem de lugar nenhum e o silêncio continua me arrisco a levantar os olhos. E aqueles olhos me prenderam. Não consegui olhar prá mais nada. Seus olhos eram doces, me transmitiam uma paz e um perdão que não me lembro de ver em lugar algum. Senti o amor que tanto buscava, e percebi naquele momento que aquele homem na minha frente não era um profeta, é o próprio Deus. Ele é um Deus que nunca pensei encontrar, um Deus de amor. E pela primeira vez senti o amor de um pai por uma filha, sem censura, sem condenação. Somente um pai com um amor incontrolável e incondicional pela filha. E a filha era EU.
Até este momento Ele não tinha falado. Então disse: Onde estão teus acusadores? Ninguém te condenou? E envolta em toda a paz que poderia sentir eu respondi: Não Senhor! Porque sabia que a partir daquele momento Ele seria meu Senhor por toda a minha vida, entregaria tudo a Ele, tudo por todo aquele amor. E tudo o que eu estava sentindo se confirmou em uma pequena frase: Eu também não te condeno, vai e não peques mais!
Era bem isso que jamais faria novamente. Minha vida mudou naquele dia. Não estava aliviada porque não seria morta, estava aliviada porque mesmo que eu morresse neste dia não teria importância, eu havia visto Deus face a face e minha alma foi salva.


Adaptado (e muitas partes inventadas) de João 8.1-11

sábado, 20 de outubro de 2012

Revelações

   As revelações de Deus estão por toda a Bíblia. Ele falava fortemente com os profetas, com Jesus e com os apóstolos. A coisa toda era bem pomposa, ou nos parece aos nossos olhos. Sempre começava desse jeito: "Assim diz o Senhor!" e lá vinha chumbo grosso pela frente. Mesmo quando lemos na Bíblia dá uma vontade de se encolher.
   Mas depois de levar um belo puxão de orelha de Deus (que diga-se de passagem, doeu bastante) chego à conclusão de que as coisas não são bem assim em nossos dias.
   Mesmo Paulo, com toda a sua autoridade espiritual, não vivia de sonhos e revelações. Este maravilhoso apóstolo tinha seus pés bem firmados na Bíblia. Paulo não era o tipo de pessoa que se deixava guiar pelas revelações. Ele primeiro verificava se a revelação era condizente com a Palavra de Deus, e só depois ia buscar ao Senhor para orientações.
   Poder ver o mundo espiritual e ouvir a voz de Deus é muito bom. Ver o mundo espiritual é interessante, mas nunca me levou mais perto de Deus. Essas experiências não trazem maior intimidade. Não ache que alguém que pode ver demônios ou coisas do gênero é mais santo. Se você acredita nisso então está acreditando em mentiras. Isso só mostra como somos carnais, e me incluo nisso. Ninguém precisa ficar dizendo que vê isso ou aquilo. Peço perdão ao Senhor porque fiz isso diversas vezes. Só demonstra como ainda sou imatura na fé.
   São só pequenos agrados que o Senhor pode dar ou não. Ouvir a voz de Deus é importante, mas pode ocorrer lendo um texto da Palavra, ou ouvindo a orientação do seu pastor. Ouvir a voz de Deus tem muito mais haver com a necessidade que o Senhor tem de nos ensinar e corrigir do que em profecias. Isso é importante quando nos encontramos no meio de uma situação e precisamos saber que atitude tomar. É ser guiado pela vontade de Deus. E não ache que você escutou a voz de Deus se isso não confere com as instruções contidas na escritura. Se isso aconteceu então você ouviu a voz do diabo, ou, o que é muito mais comum, a sua própria vontade.
   Coisas extraordinárias ou miraculosas devem ser a exceção da nossa vida e não a regra. Antes de querer se guiar por essas coisas (como eu vinha fazendo), busque a resposta na Bíblia, com certeza elas estão todas lá.
Que Deus te abençoe